sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009...

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E aqui vamos nós. Mais um ano que se vai, mais outro que nos vem, e nós aqui, na boa vida que Deus nos deu, assistindo à barbárie mundial com olhos estáticos, enquanto sonhamos em ser humanos...

Ano bom, esse 2009. Até escrevi um textinho que fiz sobre ele... (mas esqueci no computador da editora) Achei que ficou até bonitinho. Sim, muita coisa que escrevo não posto, porque acredito que sejam imbecis demais. Enfim... Se essas por acaso não são (imbecis), por favor, leiam! (me lembrem, posto na primeira semana de Janeiro de 2010 [medo])


Bom... feliz Natal e um excelente Ano Novo!
Beijos
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Janeiro... um ano novo, com tudo novo, até emprego!


Pessoal da editora num momento não muito literário...



equipe de Revisão

Em Fevereiro...


Aniversário da Vanessão!





Dois metros de pernas...

Em Março!



Casamento da Bertola com Junim!






ok, eu chorei...



Abril!!!


Aniversário do Luizzzzzzzzzz


Cara de malandro!

E em Maio...

...casamento da Cris...









...com o Otávio!

Em Junho, algo inesperado...


Parada de SP


Amigos em SP


E ele.


O Tchuco.


Que ainda não era "Tchuco", mas apenas Daniel.

Em Julho...


Em Londrina...


Achando que me aguentava...


Mesmo se escondendo...












Em Agosto...


Formatura da...


...Carol!



E Expo...


do Maurício de Sousa


E um pedido às 2 da manhã...




Sim.


Setembro, mês de pagar promessas...






Pra Santo Expedito


E...


Santo Antônio dos Pinhais...


E a vaca Jersey


E o Paraíso

Em Outubro, enfim...


Conheci Padilhaaaaaaaa


E teve Cora...

Novembro



E Dezembro!!!

Meu aniversário!















E foi esse o ano de 2009...

espero que 2010 seja tão bom quanto...
...e será!


Beijos a todos! E um próspero Ano Novo!!!
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domingo, 13 de dezembro de 2009

O verbo QUERER...

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Para Daniel
mais uma vez





Como te quero, ou te queria, ou te saberia querer se soubesse querer, mas não sei, apenas quero, e não sei se esse jeito de querer é o certo, e pouco importa. Te querendo, me quero, e querendo-te quero o melhor de mim e de você, para que o querer seja eterno, e nunca suprido.


Quero você e eu lado a lado, deitado, olhando as estrelas, as nuvens, a chuva, o teto, a lua. Esperando, deixando o tempo passar, relaxando, ou querendo algo mais, ou qualquer coisa além disso. Apenas você e eu, deitados, lado a lado, olhando para cima se tocando apenas pelas pontas dos dedos, que serão capazes, acredite, te nos levar para qualquer lugar.


Quero te ver de manhã acordando com cara amassada, cara dobrada ao meio, cabelo que não descubro forma alguma de arrumar, cheiro de sono, cheiro de sonho. Quero você me tocando e me acordando baixinho e tímido e cuidadoso. Quero te acordar com um olhar, com um beijo no queixo. Quero sentir que o sonho não acaba quando se acorda.


Quero segurar sua mão para atravessar a rua, e que seja Jabaquara, Paulista ou Maringá, que seja a lua, só quero saber de sua mão segurando a minha que igualmente segura a sua. E estarei protegido.


Quero migalhas entre nós dois, de pão, de sonhos, de passados. E não iremos limpar. Serão a prova que somos normais. Quero margarina perfurada, quero garrafa de café aberta, quero torneira pingando, chuveiro queimado, telha quebrada, pão sem casca, geleia estragada habitando o mais fundo da geladeira. Quero a normalidade, nada perfeito, nada surreal. Já me basta essa perfeição surrealista que tenho quando acordo de madrugada com sede ou bexiga estourando e lá está você, qual bebê.


Quero olhar pra trás e ver você, e olhar pra frente e ver nós. Quero desejar um futuro só por ver o Ibirapuera lá na frente com suas fontes, ou o prédio do HSBC com suas luzes, ou algum lago, alguma serra, alguma pousada, algum vinho.


Quero acordar em uma manhã e encontrar rugas em volta dos seus olhos, cabelos brancos, mãos grossas e ásperas, lábios trêmulos, olhar lagrimoso, sorriso meigo, e mesmo assim te amar como se tivesse vinte e quatro ou vinte e cinco anos e te achar lindo, e sei que vou achar. Você está lindo, meu amor, irei direi. E você irá sorrir, da mesma forma que sorri hoje.


E não quero promessas. Também não as farei. Quero apenas um juramento, e só. Que nossos corações não envelheçam. Que esses corações jamais morrerão. Que esse olhar entre nós não mudará. Prometa-me isso, e poderá sair para trabalhar. Te espero aqui, amor, com o rosto limpo e a mesa posta. E pode prestar atenção: entre a carne e o arroz solto estarão migalhas de pão do café da manhã. 


Só preciso que me ame mesmo assim...


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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Cheiros e músicas...

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e esses cheiros
essas músicas
cada uma me lembra
Um diferente
aquela italiana
me lembra o menino tão novo
da cidade vizinha
que queria se divertir
a francesa
me lembra o menino maduro
do outro estado
que queria casar
(mas não viajar)
o cheiro de melancia
estilo americano
me lembra o gosto de fruta
no primeiro beijo
banana
o cheiro de malbec
quase igual vinho
me lembra o olho verde
daquele que primeiro amei
o cheiro verde de cor verde
me lembra o de agora
e já não sou ou o que era
mas com ele sei que serei


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domingo, 8 de novembro de 2009

Presente...

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vamos brincar de bola
com a rua cheia de gente
vamos comer geleia no pote
caçar piolho com pente
tá na hora de escutar as crianças
do trio elétrico, ir na frente
e acabar com a tristeza
daqueles que tão forte a sente
passou da hora de esquecer o passado
e esperar, pois o futuro nos mente
vamos cultivar alecrim
ir dormir sem escovar os dentes
comer bobagens na cama
pois a nós só resta o presente
ter fé na nossa infância
e só a ela ser crente.


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domingo, 25 de outubro de 2009

2º lugar no CONCURSO CAIO FERNANDO ABREU...

     Olhares e espelhos

     Para Daniel Sena

     Ele havia saído e deixado a porta aberta. Não tinha percebido. Só percebi na manhã seguinte. Não havia sobrado nada dele. Apenas o cheiro pela casa. E o cheiro entrava em cada canto, em cada grão de pó. Sentia seu cheiro até mesmo na água. Estaria ficando louco?
     Seis meses. E ainda ouço seus passos pelo apartamento vazio. Eu, coberto de miudezas de mim mesmo, não me refiz. Busquei, acreditem. Mas nada restou de mim. Ele levou tudo. Não deixou nada para que eu pudesse me regenerar. Nada que pudesse voltar a ser. Não sou um lagarto. Pedaço amputado não cresce de novo. E olhando essa porta agora, já fechada, trancada com três trincos, percebo que ele me matou. Em mim, a ausência total de esperança. Certeza da não felicidade. É exatamente isso que vejo no espelho: uma caveira, com olhos fundos, negros. Onde está meu azul? Pele pálida, quase amarela. Cabelos mais opacos. Sem sorriso. Sem brilho. Por vezes, acredito que nem mesmo um rosto eu vejo. Penso: do que a vale a vida se não for feliz? E penso mais: como ser feliz se não posso fazer alguém feliz? Descrente. Mudo. Resigno-me e me calo. Fecho a 4ª tranca e olho para o apartamento oco. Um vento sopra pela janela aberta. As cortinas dançam um balé tosco. Penso em voar. Vejo as nuvens, as estrelas. Ah, as nuvens. Queria elas nos pés. Deixo para amanhã. Não, amanhã não. Amanhã é terça. Deixo para o fim de semana. Sim. Domingo é um bom dia para se alcançar as estrelas.
     Ah... essa doce pseudo-esperança que não me deixa dormir...

     Vamos? Não. Por quê? Sem ânimo para isso. E decidi fazer umas coisas aqui no apartamento nesse fim de semana. Ah, deixa para domingo à noite. Não dá tempo? Na verdade dá, mas... Então! Faz sua mala. Arruma suas coisas. E passo te pegar. Às oito. Tá. Se anima!

     Penso ainda hoje: como pode um sorriso ser tão bonito?
     Mistura de brilho, espelho, céu estrelado, sol, aurora boreal, arco-íris, tesouro dele, céu azul, mar. Apenas veio do nada, me encontrou morto e...

     ...se aproximou de mim Vitória e pegou meu braço e me segurou tão forte tão forte e tão forte me beijou que senti uma coisa louca mágica aquele beijo gosto de fruta madura sabe igual morango eu acho sei lá só sei que ele era lindo cabelos castanhos olhos me olhando e achei que era brincadeira mas foi ficando sério e ele foi se chegando chegando e chegou-chegando com tudo e me pegou de jeito depois de chegar e parece que me segura até agora e não larga sabe não sei se você entende o que eu digo mas ainda sinto ele me beijando com lábios tão doces como fruta sua língua me explorando me querendo me buscando e eu anestesiado queria mais ele e ainda quero e ainda desejo e ainda sonho e ainda sinto aiii que eu não me aguento Vitória!

     E no demorar dos dias, no arrastar-se das horas, lá está você, que me espera, como um fim de semana; que me liberta na sexta e me liberta no domingo à noite me prendendo a mim mesmo, ausência de ti, preenchido de ti. E no final dessas horas encontrar você que me espera, "no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços [...] e você me beija e você me aperta [...] e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."1
     E, por Deus, como está tudo bem, pois eu estou, e você? Também? Que ótimo saber disso. Mas saiba que só estou bem porque estou com você nessas horas quebradas de solidão assassina, de ausência anuladora, de cheiros, de gostos, de toques do ar. De morangos silvestres.
     Não era seu coração que estava quebrado. Era seu ser total, completo, uma vez que, partindo, olhou para trás deixando lá sua essência. Sua alma jazia solitária na capital, dormindo em varandas e sereno, esperando a misericórdia de seres sem misericórdia para comer e beber. Frio. Sentia frio durante as noites.  Nenhum sorriso, nem abraço. Nada. Só o sereno escuro, o orvalho noturno, as estrelas que, distantes, pareciam zombar dele.
     Não era o meu coração que estava quebrado. Era eu completo, uma vez que, partindo, me deixei atrás, contigo, enquanto voltava para a triste realidade que ainda chamo de minha vida. Vida ruim, mas levemente colorida, por você.

     Cara, você não existe! Existo sim, você que nunca tinha me encontrado.
     Silêncio. Dias de silêncio.
     Há  dentro de mim um verme maldito que consome célula por célula da minha pele, órgãos e tecidos todos. Entra nos meus ossos, dança nas minhas veias. Seleciona o melhor do eu somático e devora, sem piedade. A dor é física. O verme é real. E seu nome é saudade.
     E lá vem você, sorrindo quase dourado de tão claro que é. Me lembra o céu em pleno amanhecer. Aquela luz que machuca os olhos, mas que – por Deus! – é linda. Me abraça num abraço que vai durar dois
     dias?
     meses?
     anos?
minutos e que vai me curar. Abraço esperado, sofrido. Dor tão boa. Oxalá eu sinta para sempre essa dor. Ele é meu beijo no final do filme. Esperança ressuscitada. Abraço que cura. Cola cada pedaço.
      Estou repleto de ti, e sussurro vem deitar, meu amor. Repleto de ti. Tão repleto que por vezes penso que vou explodir. E voar pedacinhos de ti para todos os lados. E o que eu irei fazer? Correr pelo mundo, caçar cada um deles. Dezenas, centenas, milhões de pedacinhos e colar um por um e te deixar inteiro, completo, sem faltas e sem ausências.

      Até  mais. Cinco dias. Daqui cinco dias te vejo. E eis o verme. Tranca por tranca abri a porta. Apartamento oco, mas incrivelmente limpo. Agradeci. O cheiro de morte não sentia. Apenas o cheiro de morangos. 
      Suspiro. Prendi a respiração por alguns minutos. Contemplei o céu cinza. Calei-me. Fechei as cortinas verdes. O quarto então se encheu de luz.

     E lá estava ele na porta imaginado como se realmente estivesse ali desde sempre e que aquela não seria só mais uma noite e o sofrimento de uma vida então se apagaria ali diante de seu nariz por onde entraria o doce perfume das flores amarelas verdes ou azuis se existissem flores azuis mas naquele mundo existia porque havia uma flor azul que gritava brilhos logo ali diante dele que estava diante da janela fechada pela cortina verde que lembrava o mar.

     Pisquei uma, duas, três vezes. Sabia da existência do sonho, realidade inventada por mim para suprir o oco que outros haviam deixados. Mas algo nele me dava uma certeza doente de que O outro estava ali, sorrindo...

     ... um sorriso de menino travesso desejando dar-me um abraço bem forte que me dissesse está tudo bem meu lindo anjo azul da cor do céu por quem eu estou estupidamente apaixonado mas não estranho é impossível não se apaixonar por um homem que presta atenção nas cores eu li em algum lugar e corram a menina está roubando os livros e lá está nosso álbum nossa vida nossas fotos lembranças de visitas a museus a torres a casas malucas onde coelhos malucos nos contam suas maluquices e nós rimos ah se rimos!

     A vida me parecia breve o suficiente para perdê-lo. O céu, mais cinza do que nunca, me chamou. Eu, calado ainda, resignei-me a sentar no sofá e tomar uma xícara de café preto, bem preto, para acalmar a sede que tinha dele...

     sede esta que só se mataria com o beijo primeiro gosto de morango que se deu numa tarde de vento frio que tomou o corpo e uma quentura que tomou conta da alma e o sol apareceu por de trás das nuvens esbanjando raios de todas as cores amarelos azuis e verdes sim verdes eram os raios do sol nas árvores das flores nas cabeças protegidas apenas pela aura de cada um que da mesma forma eram coloridas e lindas e claras e santas.

     Santa Teresa observava. Sentia isso como sentia aquele ar frio entrando e saindo e entrando de novo, naquele entrar-entrando sem pedir licença. Quem era? Não sabia, nem ousava responder como não ousava responder nada depois de errar. Calava-me. A criança diria "ah, eu sabia!", mas eu não. Permaneceria calado, com medo – como sempre –, e que medo grande era esse que possuía agora! Medo do futuro, do presente, das palavras, das letras, das poesias que escrevia sem papel nas paredes de casa com tinta que não eram tinta. Medo do medo do outro que poderia ter medo, medo do possível medo...

     Caiu o corpo sobre a rua deserta e não tinha nem mesmo tráfego que o auxiliasse e lhe tirasse dali antes que fosse pisoteado queimado linchado sujado deteriorado pelos pés e mãos e bicos e presas de homens e bichos que ali haveriam de passar na próxima segunda acordem é hora de ir trabalhar bando de vagabundos que só saber dormir dormir e ficar na frente da televisão vendo fantástico enquanto o mundo passa a vida passa o amor passa e a felicidade está logo ali parada na esquina e ninguém repito ninguém consegue ouvi-la porque estão ausente demais nos seus eme esse enes da vida

     Eu vi o corpo cair. Um rapaz cuja namorada o traiu com o irmão. Coitado. Tão novo. Não desci. Ele me ligou logo depois que vi o corpo. E sua voz me fazia esquecer que havia outros corpos no mundo.
      Ah, seu toque de edredom com cheiro de confort que me conforta. Me senti vivo. E na bagunça do meu edredom eu não sabia mais onde começava ou terminava sua pele. Nos beijamos na chuva. E não sabia onde terminava sua água e começava a água que caía. E no abraço em que dávamos e que durava pouco mais de dois
      dias?
      meses?
      anos?
minutos, eu me desprendia de mim para abraçar na totalidade do que era. O que ele era? Não sei.
      Só  sei que comecei a ver rostos novamente nos espelhos.


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1- Caio Fernando Abreu, Anotações sobre um amor urbano.

domingo, 18 de outubro de 2009

eis o fato...

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abandonar o mundo, deixar o quarto,
a porta aberta, a janela trancada, a cama
desarrumada
trair a esposa, matar os filhos, comer um
travesti
a primeira esquina, a última parada
uma carrerinha
(nunca faz mal)
duas garrafas
(uma pra mim, outra pra você)
conhecer mais gente
transar, transar, transar
uma vida inteira no atraso
uma morte inteira pela frente
a vida inteira no armário
esfriando corpos quentes
acampar com meninos escoteiros
celebrar a missa de batina roxa-choque
subir em palanques
ditar mentiras
espalhar rumores
aids? para todos
camisinhas? para todos
ser reprimido
você não doa sangue
você não casa de papel passado
você não pode, depravado
você não pode, é viado
ser assustado
sai daqui!
por favor, amigo
sai daqui!
por favor, pai
sai daqui!
por favor, amor
e na primeira esquina
a primeira carreirinha
(nunca faz mal)
arde, como arde!
(dessa vez fez)
na primeira esquina
a última parada
no último minuto
a primeira morte
e ainda conseguiu ouvir os estranhos dizendo:
pelo menos ele aproveitou a vida.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Por trás...

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por trás das lágrimas
te escrevo
o relevo de teus cachos
de macho no cio
fio branco encontro
tonto de sedução


por trás das lágrimas 
te vejo
desejo que sonhava dar
o ar que dispenso
mesmo que precisasse
mas preciso


por trás das lágrimas
e lástimas
e mágicas
e plásticas
por trás das drásticas
rústicas
e miúdas
e mudas
e todas tuas 
palavras


por trás das lágrimas
te amo
e chamo: vem
tem tudo pra me 
me possuir
e sentir
esse mesmo desejo
de beijo lampejo
sereno
mesmo por trás.


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